Um filhote de bicho-preguiça encontrado separado da mãe em Imbé de Minas pode parecer uma cena de desespero, mas quando os órgãos ambientais são acionados rápido, a chance de reunião é alta. A essa espécie, que vive pendurada nas árvores, precisa desses primeiros meses críticos com a progenitora para aprender como sobreviver na mata.
Quando a preguiça bebê precisa de ajuda

O filhote de preguiça é um dos mamíferos mais indefesos do planeta durante suas primeiras semanas. Nascido pesando entre 250 a 320 gramas, ele instintivamente se agarra ao pêlo da mãe com pequenas garras, um mecanismo que funciona enquanto ambos estão pendurados nas árvores. Quando cai ou se separa por qualquer motivo, o resgate se torna urgente.
A separação ocorre naturalmente quando a cria cai de um galho ou, em casos mais raros como revelou a National Geographic, quando há um acidente durante o parto. Filhotes encontrados sozinhos no chão raramente sobrevivem à primeira noite sem os cuidados maternos, uma vez que não conseguem trepar de volta por conta própria e enfrentam exposição e possíveis predadores.
O vínculo que salva vidas

Durante aproximadamente seis meses, o filhote permanece agarrado à mãe enquanto ela se move entre as copas das árvores. É nesse período que aprende comportamentos cruciais para a sobrevivência, como identificar folhas comestíveis, entender os movimentos lentos próprios da espécie e, até mesmo, onde e como beber água. Pesquisadores observaram que uma mãe preguiça consegue transmitir essas habilidades rapidamente ao filhote através da observação e repetição.
Após esse período, a mãe deixa um território já conhecido para o filho, que passa a viver sozinho no mesmo local. Essa estratégia evita competição por alimento e permite que o filhote se desenvolva em ambiente onde já aprendeu as melhores fontes de folhas e refúgio.
Por que o resgate com autoridades é importante

Quando um morador encontra um filhote separado da mãe, acionar órgãos ambientais como IBAMA ou vigilância ambiental municipal aumenta drasticamente as chances de reencontro. Especialistas em centros de resgate da Costa Rica desenvolveram técnicas criativas: em alguns casos, gravaram o choro do filhote e tocaram a gravação perto da árvore onde havia sido encontrado. A mãe preguiça, guiada pelo olfato e pelo som específico de seu bebê, conseguiu descer até ele.
Mas nem sempre reunião é possível de forma natural. Em casos onde a mãe não aparece ou está ferida, os centros de triagem de animais silvestres cuidam do filhote até que possa ser solto em habitat adequado, idealmente no mesmo local onde foi resgatado.
A fragilidade do período inicial
As preguiças-comuns (Bradypus variegatus), espécie encontrada em Minas Gerais, possuem uma gestação que dura entre quatro a seis meses. O recém-nascido é amamentado por cerca de um mês, mas já a partir da primeira semana começa a provar folhas com a mãe. Dormir cerca de vinte horas por dia enquanto pendurado no corpo da progenitora é o padrão.
Dados do Instituto Últimos Refúgios, que monitora essa espécie em reservas biológicas do Brasil, confirmam que o vínculo mãe-filhote durante esse período é fundamental para a taxa de sobrevivência. Atualmente, a preguiça-comum não está em risco de extinção, mas outras espécies, como a preguiça-anã-de-três-dedos, enfrentam perigo crítico justamente por perda de habitat e morte de fêmeas reprodutivas.
Fontes
- Filhote de preguiça com mãe vivem agarrados por seis meses — Instituto Últimos Refúgios — 2020-05-11
- Raro vídeo de bicho-preguiça dando à luz entusiasma cientistas — National Geographic Brasil — 2020-03-06
- Mãe e filhote de bicho-preguiça resgatados após queda no Parque do Pedroso — Diário do Grande ABC — 2023-08-08


