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Animais · Comportamento

Mamãe gambá guiando filhote pela rua: o que a biologia diz sobre essa cena que derrete a internet

Cena de uma gambá acompanhando o filhote pelo meio-fio resume um capítulo bem documentado da biologia desses marsupiais urbanos: o cuidado parental intenso e o momento em que os pequenos saem do marsúpio.

Publicado em 04 de junho de 2026 · 4 fontes verificadas
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Mamãe gambá guiando filhote pela rua: o que a biologia diz sobre essa cena que derrete a internet
Imagem: Reprodução / A Gazeta / g1 ES

A imagem parece roteirizada para viralizar: numa rua qualquer de bairro, uma gambá adulta cruza o asfalto com um filhotinho colado no corpo, devagar, com a paciência de quem está ensinando o bicho miúdo a existir no mundo. A cena é fofa, sim, mas também é um retrato fiel de um comportamento que biólogos brasileiros conhecem bem.

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A cena por trás da fofura

Vídeo mostra mamãe-gambá levando filhotes nas costas em cidade do ES
Imagem: A Gazeta / g1 ES · Imagem: A Gazeta / g1 ES

O gambá é um marsupial. Isso muda tudo na hora de entender uma cena como essa. Diferente de mamíferos placentários, os filhotes nascem quase como embriões, com cerca de 1 cm e 2 gramas, depois de uma gestação que dura por volta de 13 dias. Os recém-nascidos sobem sozinhos pelo corpo da mãe até alcançar o marsúpio, onde ficam grudados nas mamas por mais 70 a 80 dias, completando o desenvolvimento que outros mamíferos terminam ainda dentro do útero.

Quando finalmente saem da bolsa, ainda não estão prontos para o mundo. É aí que aparece a parte que enche feed de vídeo fofo: por algumas semanas, eles passam montados nas costas da mãe ou caminham junto dela, em distâncias curtas, sempre voltando para o corpo materno na primeira ameaça. O pesquisador Alan Gerhardt Braz, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), descreve esse padrão em entrevista a A Gazeta como um cuidado parental clássico de mamíferos, comum também em macacos, morcegos e tamanduás, só que mais difícil de flagrar nessas outras espécies.

Por que a gente vê isso em rua de cidade?

Desenvolvimento dos gambás: um mamífero "diferentão"
Imagem: Instituto Últimos Refúgios · Imagem: Instituto Últimos Refúgios

O gambá virou figurinha urbana. As duas espécies mais comuns no Brasil, Didelphis aurita (orelha-preta) e Didelphis albiventris (orelha-branca, o famoso saruê), se adaptaram bem a quintais, telhados, terrenos baldios e canteiros de bairro. O CRMV-SP classifica a espécie como silvestre incidente em centros urbanos, ou seja, ela vive ali porque achou comida, abrigo e ausência de predadores naturais. O lado ruim do arranjo são as ameaças tipicamente humanas: atropelamento, choque em fiação elétrica e ataque de cães.

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O portal Agron lembra que o saruê cumpre função ambiental importante mesmo dentro da cidade, comendo frutos, insetos, pequenos roedores e até carrapatos, o que ajuda a equilibrar a fauna urbana. Mas é justamente por circular tanto no chão e por se mover devagar que o bicho aparece tanto em vídeo de gente em carro: dá tempo de avistar, parar, filmar.

A "primeira travessia" é poesia, mas a lógica está certa

Gambá é espécie silvestre incidente em centros urbanos
Imagem: CRMV-SP · Imagem: CRMV-SP

Dizer que é a primeira vez do filhote atravessando a rua é uma leitura humana, afetuosa, impossível de comprovar quadro a quadro. O que a biologia confirma é a fase: o filhote que aparece andando ao lado da mãe, em vez de pendurado nela, está na transição entre o marsúpio e a vida solitária. Segundo o pesquisador do INMA, nesse momento os pequenos já estão quase se emancipando, e logo depois disso a mãe não os acompanha mais. Adultos de gambá são solitários e só se reúnem em período reprodutivo.

Então sim, dá para chamar de uma das primeiras travessias do filhote sem cometer nenhum exagero. Provavelmente nem a mãe vai estar do lado dele nas próximas.

Se cruzar com um na rua

Gambá
Imagem: Wikipédia · Imagem: Wikipédia

A orientação repetida por instituições de fauna silvestre, como o Instituto Últimos Refúgios e prefeituras do Sul do país, é simples: reduza a velocidade, não buzine, não tente pegar. Se o filhote estiver sozinho e ferido, vale acionar a guarda ambiental ou um centro de triagem de animais silvestres da região, porque um gambá adulto consegue carregar perto do próprio peso em filhotes, mas não consegue voltar sozinho para resgatar o que ficou para trás. A cena bonitinha existe porque, nesse instante exato, o motorista também fez sua parte: parou.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting:

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