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Comportamento · Pets

Cachorro de moletom virou cena de inverno paulista: por que tanto pet vestido nas ruas quando a temperatura cai

Cão andando de moletom pela rua já não causa estranheza em São Paulo no inverno. Veterinários explicam quando o agasalho protege de verdade e quando é só estética humana.

Publicado em 03 de junho de 2026 · 6 fontes verificadas
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Cachorro de moletom virou cena de inverno paulista: por que tanto pet vestido nas ruas quando a temperatura cai
Imagem: Reprodução / Metrópoles

Quando o termômetro desaba em São Paulo, uma cena curiosa se repete em calçadas, praças e estações: cachorro de moletom, casaco de fleece, até touca. A piada de quem flagra é sempre a mesma, que pelo menos frio o bicho não vai passar. A pergunta menos óbvia é se ele precisava mesmo daquilo.

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A onda de pets vestidos

Cachorro realmente precisa usar roupa no frio? Veterinária esclarece
Imagem: Metrópoles · Imagem: Metrópoles

O inverno paulista raramente bate recordes históricos, mas basta a temperatura cair perto dos 10°C pra cidade entrar em modo agasalho coletivo, e os cachorros entram junto. Pet shops montam vitrine de inverno meses antes, com moletom, casaco flanelado e até pijama de fleece ganhando espaço de prateleira que antes era de ração. A categoria "moletons e blusas" virou seção fixa em grandes redes como Petlove e Petz, com indicação explícita pra dias de passeio externo.

Na rua, o resultado é o que todo paulistano já viu: um vira-lata de moletom cinza atravessando a faixa, um shih-tzu de casaco xadrez sendo carregado, um pitbull de blusa de tricô esperando o tutor sair da padaria. A imagem rende riso, ternura e a sensação meio universal de que o bicho tá mais bem vestido que o dono.

Quando o agasalho é necessário (e quando é só fofura)

Chegou o inverno: cachorro precisa de roupa?
Imagem: PetCare · Imagem: PetCare

A veterinária Simone Freitas, ouvida pelo Metrópoles, confirma que sim, há casos em que a roupa protege de verdade. Cães de porte pequeno, filhotes, idosos, raças de pelo curto e animais doentes têm mais dificuldade pra manter a temperatura corporal e podem desenvolver problemas respiratórios em dias muito frios.

Do outro lado, a reportagem do Jornal da Band traz o alerta inverso: animal de pelo longo, que fica em casa ou em abrigo, não precisa de roupa em tempo nenhum. Vestir cachorro peludo dentro de casa, em ambiente já protegido, pode causar superaquecimento, dermatite e desconforto. A veterinária ouvida resume a regra prática: a roupinha entra na hora do passeio, não como peça fixa.

Uma referência que circula bastante entre veterinários brasileiros é o estudo da Universidade de Tufts, citado por reportagem da Revista Fórum, apontando que temperaturas entre 4°C e -1°C representam risco real pra cães pequenos e médios. Em São Paulo isso até acontece em frentes frias mais agressivas, mas não é o cenário típico. Na maior parte do inverno, o moletom serve mais ao olho do tutor do que ao corpo do pet.

O lado prático que o pet shop não conta

O PetCare sugere uma adaptação gradual, principalmente em cães que nunca usaram roupa. Vestir o bicho e deixar ele "se virar" é caminho certo pra estresse, mordida no tecido e queda do moletom no meio da rua. Os pontos básicos que veterinários costumam reforçar:

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  • Tecido que não acumule umidade, porque cachorro molhado de frio é pior que cachorro sem roupa.
  • Roupa que não aperte axilas e barriga, pra não atrapalhar a circulação.
  • Tirar o agasalho ao voltar pra casa, mesmo que o cão tenha gostado.
  • Observar sinais de calor excessivo: ofegação, agitação, tentativa de tirar a peça.

A cena viral por trás da cena viral

Homem tira a camisa no metrô e veste cachorro que passava frio em SP; veja vídeo
Imagem: Correio 24 Horas · Imagem: Correio 24 Horas

O cachorro de moletom paulista não surgiu do nada. Ele é primo direto de duas imagens que rodaram o país nos últimos anos. Em 2020, o promotor de vendas Felipe Marcelo tirou a própria camiseta dentro da estação Jabaquara do metrô pra vestir um cão de rua que tremia, gesto registrado pelo irmão e reproduzido pelo Correio 24 Horas e por dezenas de outros sites. Antes ainda, reportagem da Tribuna de Jundiaí mostrou um morador de rua dividindo a única jaqueta com o próprio cachorro, foto que rendeu adoção dos dois.

No conjunto, essas imagens explicam por que o flagrante de um cachorro de moletom hoje funciona tão bem nas redes. Não é só fofura. É um pedaço de uma narrativa coletiva sobre cuidado, frio urbano e a forma muito brasileira de tratar bicho como gente da casa, às vezes literalmente vestindo o pet com peça que sobrou do guarda-roupa humano.

O que sobra disso tudo

Homem sem-teto dá sua jaqueta para cachorro com frio e repercussão tira os dois das ruas
Imagem: Tribuna de Jundiaí · Imagem: Tribuna de Jundiaí

Cão de moletom passeando pelo estado de São Paulo é, ao mesmo tempo, cena bonita, fenômeno de consumo e às vezes excesso bem-intencionado. A regra que veterinários repetem é simples: se o pet treme, se encolhe ou esconde as patas, agasalho ajuda. Se ele já vive aquecido, com pelagem densa e dentro de casa, o moletom é mais foto do que função. No frio paulistano, o equilíbrio entre proteger e fantasiar está justamente nesse limite, e quem decide deveria ser o cachorro, não a estética da calçada.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting:

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